Conheça o Parque Estadual do Lajeado

Série de conteúdos apresenta a importância das nascentes, a visitação e o manejo integrado do fogo e amplia o diálogo sobre a proteção do Cerrado no Tocantins

No alto da Serra do Lajeado, a poucos quilômetros da área urbana de Palmas, uma extensa área de Cerrado cumpre funções que nem sempre são percebidas por quem vive na capital. Ali está o Parque Estadual do Lajeado (PEL), unidade de conservação de proteção integral criada em 2001 e administrada pelo Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins). São aproximadamente 9.930 hectares destinados à proteção da fauna, da flora, dos recursos naturais e dos mananciais da região.

Para aproximar a população dessa realidade, o Instituto Terra, Direitos e Cidadania produziu uma série de conteúdos sobre o Parque, mostrando diferentes dimensões de uma área que reúne conservação ambiental, proteção das águas, prevenção de incêndios, pesquisa, educação ambiental e possibilidades de visitação. Além de apresentar um ponto turístico próximo à capital, o objetivo foi dar visibilidade ao trabalho desenvolvido na unidade e ajudar a compreender por que preservar o Parque Estadual do Lajeado também importa para quem vive fora de seus limites.

Onde a água encontra proteção

Uma das dimensões mais importantes do Parque está justamente naquilo que corre para além de suas fronteiras: a água. Em entrevista ao Instituto Terra, a supervisora do Parque Estadual do Lajeado, Camila Muniz, explica que a unidade está localizada no topo da Serra do Lajeado e abriga diversas nascentes relacionadas ao Ribeirão Lajeado.

Segundo ela, essas águas têm importância para o abastecimento da região norte de Palmas, do município de Lajeado e de propriedades rurais localizadas entre os dois municípios. A proteção dos mananciais também está entre as finalidades reconhecidas oficialmente para a unidade de conservação. O Parque está inserido no bioma Cerrado e reúne nascentes, córregos, ribeirões, áreas úmidas e diferentes formações de vegetação.

Camila chama atenção ainda para um processo que levou tempo. Durante aproximadamente 25 anos, a área permaneceu fechada, possibilitando a regeneração natural de sua vegetação. Hoje, segundo a supervisora, os efeitos desse período podem ser percebidos também na água.

“Temos aqui um córrego que voltou a ter água em abundância e qualidade devido a esses 25 anos de fechamento e regeneração natural da vegetação”, explica.

A experiência evidencia uma relação que muitas vezes passa despercebida: proteger a vegetação também significa proteger as águas que atravessam um território e chegam até outras formas de vida.

Um Parque para conhecer, caminhar e viver

Preservar uma área não significa necessariamente mantê-la distante das pessoas. Uma das transformações recentes apresentadas na série produzida pelo Instituto Terra é justamente a ampliação das possibilidades de visitação ao Parque Estadual do Lajeado. Criado em maio de 2001, o PEL tem, entre seus objetivos, a proteção dos recursos naturais e o aproveitamento sustentável de seu potencial turístico.

Na entrevista, Camila explica que a unidade passou a receber visitantes de forma mais ampla e que o acesso ao interior do Parque privilegia deslocamentos a pé ou de bicicleta. Segundo a supervisora, o espaço conta atualmente com duas trilhas autoguiadas e sinalizadas, além de pontos estruturados para banho. A Trilha Brejo da Passagem é uma das opções apresentadas como percurso acessível também para famílias e crianças.

Outra iniciativa é a rota de cicloturismo Joatan Oliveira, criada em homenagem a um ciclista de Lajeado ligado à região. O circuito utiliza cerca de 48 quilômetros de estradas internas do Parque.

A abertura para visitação aproxima a população de uma paisagem que, durante muitos anos, permaneceu pouco conhecida, inclusive entre moradores da própria capital. Em junho de 2026, por exemplo, o Parque também integrou a programação da Semana do Meio Ambiente de Palmas, recebendo estudantes da rede pública em uma atividade de educação ambiental.

Conhecer esses espaços pode contribuir para transformar conservação em uma experiência. É diferente falar sobre uma nascente e caminhar até ela, ou ouvir sobre a recuperação do Cerrado e observar a vegetação regenerando. A visitação, quando realizada de maneira responsável e de acordo com as orientações da unidade, também pode fortalecer essa aproximação entre sociedade e conservação.

Quando o fogo também é uma ferramenta de proteção

Outro conteúdo produzido pelo Instituto Terra apresenta uma questão que costuma gerar dúvidas: por que uma equipe responsável pela proteção de uma unidade de conservação coloca fogo na vegetação? A resposta passa pelo Manejo Integrado do Fogo (MIF).

Ao contrário de um incêndio florestal descontrolado, a queima prescrita é planejada e executada em condições específicas por equipes capacitadas. A técnica é utilizada preventivamente para reduzir material combustível e criar condições que dificultem a propagação de incêndios de maior intensidade durante os períodos mais críticos da estiagem. Atualmente, a queima prescrita integra a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo.

No Parque Estadual do Lajeado, Camila explica que o manejo é realizado ao longo do ano e utiliza o fogo de forma estratégica. Em uma das áreas apresentadas no vídeo, a equipe havia realizado uma queima prescrita poucas semanas antes e a vegetação começava a brotar.

A proposta é formar mosaicos na paisagem: algumas áreas são manejadas estrategicamente para que, no período de seca extrema, possam funcionar como pontos de apoio ao trabalho das equipes e dificultar que um incêndio se espalhe por grandes extensões.

“A gente queima algumas áreas de forma estratégica”, explica Camila, destacando que se trata de um fogo de baixa intensidade e planejado para reduzir a severidade de possíveis incêndios posteriores.

A técnica também vem sendo utilizada em outras ações de prevenção em Palmas. Em maio de 2026, brigadistas do Naturatins participaram de uma capacitação prática com a Defesa Civil Municipal voltada justamente ao uso do MIF e da queima prescrita para a redução preventiva de material combustível.

Para Romário Pereira Nunes, brigadista do Parque, esse trabalho precisa acontecer antes da chegada do período mais crítico da seca. “Essa é uma atividade que a gente faz anualmente para evitar que o fogo de fora venha e passe com facilidade para o Parque”, explica.

Segundo Camila, o trabalho também envolve moradores do entorno e vem ajudando a reduzir a severidade dos incêndios e o tempo necessário para o combate. A experiência ajuda a romper com uma compreensão simplificada de que todo fogo produz necessariamente os mesmos efeitos. No Manejo Integrado do Fogo, importam o período, a intensidade, as condições ambientais, o planejamento e o conhecimento técnico empregado na ação.

Proteger o Parque é também olhar para o Cerrado

Dar visibilidade ao Parque Estadual do Lajeado significa olhar para uma discussão maior. O Parque não existe de maneira isolada, ele faz parte do Cerrado e está conectado às águas, à biodiversidade, às comunidades do entorno e aos diferentes territórios que compõem o Tocantins.

Essa dimensão aparece também em outro conteúdo publicado pelo Instituto Terra, a partir da fala de Edmar Apinajé. Ao falar sobre as transformações percebidas no Cerrado, Edmar chama atenção para a redução do nível dos rios, a pressão sobre os territórios e as consequências de uma relação com a natureza baseada somente na exploração. “A gente só tem vida com o território, com a água, com as caças, com as frutas”, afirma.

A preocupação expressa por Edmar encontra reflexo nos dados ambientais do Tocantins. Entre 2019 e 2024, o estado perdeu mais de 740 mil hectares de vegetação nativa. Somente em 2024, cerca de 2,7 milhões de hectares foram atingidos pelo fogo, segundo dados do MapBiomas. 

O cenário se soma às discussões recentes sobre a legislação ambiental no estado. Em julho de 2026, a Lei Estadual nº 3.804/2021, que trata do licenciamento ambiental no Tocantins, voltou a ser alterada, ampliando o debate sobre os instrumentos de proteção e controle ambiental. 

Os números ajudam a dimensionar uma realidade que, para quem vive no território, também é percebida no cotidiano: nas mudanças da paisagem, na água, na vegetação e nas condições de continuidade da vida.

Como explica Edmar, essa relação não é apenas ambiental: “O povo, para ser um povo, tem que estar com o seu território, morando no seu território. A nossa vida está na natureza. Então, se a natureza for destruída, a gente vai estar se destruindo.”

Sua reflexão amplia o olhar sobre a conservação. Proteger o Cerrado não é uma discussão separada da vida das pessoas que habitam esses territórios. Água, alimentação, biodiversidade, cultura e modos de vida estão relacionados. Por isso, ao lado das políticas de conservação e das unidades de proteção, é fundamental reconhecer os povos indígenas como sujeitos dessa discussão e fortalecer sua participação nos espaços de decisão sobre o futuro do Cerrado.

Dar visibilidade também faz parte do cuidado

Ao produzir conteúdos sobre o Parque Estadual do Lajeado, buscamos aproximar a população de uma área que desempenha um papel importante para a conservação do Cerrado e para a proteção das águas na região de Palmas. Mostrar as nascentes, explicar o manejo do fogo, apresentar as possibilidades de visitação e ouvir quem atua diariamente na proteção desses espaços são formas de ampliar o conhecimento sobre o território. Mas essa conversa também precisa ir além dos limites do próprio Parque. Como lembra Edmar Apinajé, a vida do Cerrado está conectada à vida de quem depende de suas águas, de seus frutos, de seus animais e de seus territórios.

Conhecer é um primeiro movimento. Valorizar, proteger e assumir coletivamente a responsabilidade pelo futuro desse território são os próximos.

Confira nas redes sociais

Acesse nossos conteúdos sobre o Parque Estadual do Lajeado e a proteção do Cerrado:

https://www.instagram.com/p/DbD4xghOIlU/ 

 

https://www.instagram.com/p/DbIvRHvOa-_/

 

https://www.instagram.com/p/DbS1bCXBqod/

https://www.instagram.com/p/DbYA7RIOhZv/

Compartilhe o post:

Ultimos Posts

Gostou do conteúdo?

Quer saber mais sobre esse assunto ou outro relacionado? Cadastre seu e-mail para receber mais!

Fortalecendo territórios, promovendo cidadania e defendendo direitos através da conexão entre pessoas, cultura e ancestralidade.

Atuação

Direitos Indígenas

Formação Comunitária

Desenvolvimento Territorial

Assessoria Institucional

Projetos Sociais

Contato

Caminhe conosco

Receba novidades, projetos e histórias que fortalecem territórios e comunidades.

© 2026 Instituto Terra — Direitos e Cidadania. Todos os direitos reservados.